História em Quadrinhos
por Rosa Aparecida Batista
A
história em quadrinhos surgiu no final do século XIX nos Estados Unidos,
acompanhando uma série de transformações sofridas pela imprensa no intuito de
atrair mais leitores. O Yellow Kid, do desenhista Richard Outcault é considerado
o predecessor do gênero histórias em quadrinhos. No Brasil, os quadrinhos
apareceram pela primeira vez em 1905, através da revista Tico-Tico de Manoel
Bonfim e Renato Castro. Mas foi somente em 1934 que surgiu a indústria de
quadrinhos como ramo da indústria de comunicação de massas. Seu advento deve-se
a Adolfo Aizan, que lançou o Suplemento Juvenil, do jornal A Nação. Nele foram
lançadas as histórias de Flash Gordon, Mandrake, Pinduca, entre outras. Mais
tarde surgiu a Editora Brasil América Ltda – EBAL, que passou a publicar as
histórias em quadrinhos em revistas visando o divertimento infantil. Devido
principalmente a sua grande atração estética e seu conteúdo a indústria de
quadrinhos desenvolveu-se rapidamente, atraindo o público infanto-juvenil, que
até então permanecia à margem dos jornais e revistas informativas. Na década de
40 e 50, a indústria de quadrinho enfrentou uma tenaz campanha em todo o país,
liderada por educadores e intelectuais que proclamavam sua malignidade moral,
social e cultural. Mas, eles logo compreenderam que o mundo entrava em uma nova
fase onde a comunicação visual ganhava um papel muito significativo. Uma da
estratégia utilizada pela EBAL para neutralizar o efeito dessa campanha foi a
produção de histórias autenticamente nacionais e a adaptação de obras de
literatura para o código dos quadrinhos. A partir daí as histórias e quadrinhos
passaram a fazer parte da nossa cultura. Hoje vemos que a maior parte das
histórias são importadas de agências norte-americanas transmitindo assim os
valores, hábitos e ideologias daquela sociedade. Dentre as produções nacionais
destacam –se as produções de Maurício de Souza, Ziraldo e de Henfil, criador de
Fradinho e Zeferino. Os quadrinhos constituem uma síntese entre ilustração e
texto. “Utiliza-se de uma linguagem direta e dinâmica combinando a imagem com
muito movimento e expressão atraindo assim a criança e o jovem” (Paula
Saldanha), que se identificam com as personagens, conseguindo, através das
aventuras imaginárias, evadir-se da realidade que os cerca. Eles mexem com a
visão, a imaginação e os sentidos, dando uma sensação de movimento, coisa viva.
Dá tempo para elaborações mentais e manifestações corporais. Os quadrinhos na
sala de aula A utilização dos quadrinhos na sala de aula é um recurso muito
rico, que permite além do trabalho com o enredo, a exploração da construção do
desenho dos personagens, a análise das expressões, as características
predominantes de cada um a nível estético, moral e intelectual. Uma das
sugestões de estratégias de trabalho da Profª Drª Liana Gottlieb é incentivar os
alunos a montarem as histórias em quadrinhos. Isso permite que eles construam a
transmissão das mensagens através da criação das expressões dos personagens e de
suas falas. Este trabalho visa desenvolver a capacidade de identificação das
ideologias que permeiam as histórias. Finalizada essa etapa as criações são
analisadas e o que se vê é a realidade social e psicológica do aluno refletida
nos personagens. Ela também elaborou um dossie sobre televisão, educação e
publicidade e propaganda a partir das histórias da Mafalda, criação do argentino
Quino.
Disponível em :
http://www.cidade.usp.br/educar2002/modulo3/alunos/rosa.batista/0009/tpl_anotacao.html
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